CPTM projeta novas oportunidades de receita enquanto se prepara para deixar operação de trens

Estatal aposta em consultoria, tecnologia, energia e serviços especializados em meio à concessão de suas linhas, diz plano de negócios revelado nesta semana

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) apresentou nesta semana seu plano de negócios com um conjunto de frentes que pretende explorar nos próximos anos, em um momento de transição estrutural da companhia. Atualmente operadora de quatro ramais metropolitanos, a estatal ficará apenas com a Linha 10-Turquesa a partir de 2027, após a transferência das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para a concessionária Trivia Trens, que inicia operação assistida em julho.

Mesmo a Linha 10-Turquesa deverá ser concedida em leilão previsto para 2026, o que, na prática, pode retirar da CPTM a função de operadora ferroviária regular. O plano divulgado indica que a empresa já trabalha com um novo posicionamento, voltado à prestação de serviços, tecnologia e desenvolvimento de projetos.

Entre as oportunidades listadas estão agentes de inteligência artificial e plataformas de governança de IA, com foco em eficiência operacional, transparência e alocação de recursos. A companhia menciona ainda cultura “data driven”, cibersegurança, internet das coisas, realidade aumentada, além do uso de linguagens como Python e R para análise de dados.

Outro eixo é o chamado “CPTM Serviços”, programa iniciado em 2023 para oferecer consultoria especializada com base na experiência acumulada em transporte sobre trilhos. A estatal aponta áreas como planejamento empresarial e urbano, modelagem e simulações de projetos, pesquisas, treinamentos, turismo técnico e apoio a empreendimentos associados a estações e corredores ferroviários. Também cita atuação em trens regionais e expansão de linhas.

Na área de sustentabilidade e inovação tecnológica, o plano destaca projetos de eficiência energética e implantação de usinas solares fotovoltaicas em estações, pátios e oficinas, além da integração de robôs multifuncionais e automação de processos (RPA) para atividades administrativas e operacionais

O documento sugere que a CPTM busca se reposicionar como empresa de engenharia, consultoria e tecnologia aplicada à mobilidade e à gestão de ativos públicos. Essa mudança ocorre em paralelo ao avanço do modelo de concessões no sistema metropolitano paulista, que transfere gradualmente a operação dos serviços ferroviários à iniciativa privada.

Com a possível concessão de seu último ramal remanescente, a CPTM tende a deixar de atuar como operadora direta de trens e passar a desempenhar funções de planejamento, suporte técnico e desenvolvimento de novos negócios vinculados ao setor ferroviário e à infraestrutura urbana.