Desde segunda-feira, as composições foram substituídas por outras de quase duas décadas
Moradores do Grande ABC que utilizam diariamente a Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) reclamam da troca de trens mais novos por veículos antigos, fabricados há quase duas décadas.
As composições mais recentes foram transferidas para outras frentes do sistema ferroviário a partir desta segunda-feira (2). Em substituição, a Linha 10-Turquesa, a última a ser operada pela CPTM, passou a contar com trens obsoletos, da série 2070. Os veículos operam no Expresso ABC, que liga Santo André à Estação Tamanduateí, com parada em São Caetano, mas todo o ramal passará a contar com composições mais antigas.
A frota é composta por seis unidades, produzidas em meados de 2007 e que serviram originalmente à Linha 9-Esmeralda. Antes de chegar ao Grande ABC, esses trens circulavam na Linha 12-Safira, tradicionalmente conhecida por operar com os ativos mais antigos da companhia.
O vendedor de Mauá, Daniel Júlio, 27 anos, disse que a decisão da CPTM é um retrocesso e desvalorização do Grande ABC. “É negativo para nossa linha. Esses trens vão provavelmente precisar de mais manutenção e isso interfere ainda mais no nosso dia a dia. Normalmente, os carros já passam por muita manutenção, e somos impactados. Já tive que descer no meio da linha porque o trem quebrou”, disse.
“É uma decisão ruim e representa um retrocesso. Não sei por que eles fazem isso e qual o critério usado. Espero que não seja definitivo”, complementou a compradora de Rio Grande da Serra, Helena da Silva, 63.
A técnica de segurança de Rio Grande da Serra, Genezi Souza, 50, também teme pela necessidade de uma maior manutenção. “É um absurdo fazerem isso. Perdemos conforto e corremos o risco de que os trens quebram com maior frequência.”
O técnico de segurança de Mauá, Josias dos Santos, 56, ressaltou que, na verdade, esperava por melhorias nos trens. “Já não estão bons esses mais novos, imagina essa troca por trens mais antigos”, justificou.
A deputada estadual Ediane Maria (Psol) avalia a mudança como um descaso com a população e destaca que um dos maiores fluxos de usuários da CPTM vem do Grande ABC.
“No ano passado, fiz um requerimento de informação cobrando explicações pela interrupção do Serviço 710, que prejudicou os usuários da Linha 10- Turquesa. Agora temos isso. O pior de tudo é que o governador não vai comprar mais nada mesmo, só vai vender e precarizar, como sempre”, afirmou.
Entre as diferenças dos trens antigos e os mais novos está a impossibilidade de circulação entre os vagões e, em certas unidades, a ausência de monitores informativos.
JUSTIFICATIVA
Questionada sobre as mudanças e suas respectivas motivações, a CPTM informou que a frota de trens da companhia é uma das mais novas e modernas do Brasil. “Todos os modelos apresentam o mesmo nível de tecnologia, desempenho, conforto e segurança. É importante ressaltar que a vida útil de um trem chega, em média, aos 40 anos quando bem conservado, ou seja, com todas as manutenções devidamente realizadas.”
A companhia explicou ainda que na Linha 10-Turquesa, circulam trens da série 8500, que iniciaram operação em 2015. Já no Expresso Linha 10, operam trens das séries 8500 e 2070 (esta última em operação desde 2008). “Todos são 100% acessíveis e equipados com ar-condicionado.”
Sobre a distribuição das séries de trens pelas linhas da CPTM, a companhia afirmou que ocorre conforme estratégias ou necessidades operacionais, além do cumprimento de obrigações contratuais das concessões vigentes. “Como exemplo, os trens da série 9500, que anteriormente circulavam na Linha 10-Turquesa, foram repassados em sua totalidade para a concessionária que hoje opera a Linha 7-Rubi”, finalizou a CPTM
