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Publicação: 06/08/2018   Comentários: ()   Categoria: Últimas Notícias - Visitas: 5286
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Ferrovia abandonada pode possibilitar expansão do VLT ao Litoral Sul

O desativado ramal ferroviário que ligava a Baixada Santista ao Vale do Ribeira é promessa de acelerar a expansão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) às cidades do Litoral Sul. Alegando inviabilidade econômica para explorar o transporte de cargas no ramal ferroviário Cajati - Samaritá, na Área Continental de São Vicente, a concessionária da linha férrea vai devolver o lote de 213 quilômetros à União. Com isso, abre-se janela de oportunidade de utilização dos sucateados trilhos para a mobilidade urbana e atrativos turísticos.

Os planos para o uso do ramal regional ainda sob responsabilidade da Rumo Logística (antiga ALL) foram debatidos na sexta-feira (3), em reunião com representantes da empresa e políticos da região. O encontro foi comandado pelo prefeito de Itanhaém e presidente do Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Vale do Ribeira e Litoral Sul (Codivar), Marco Aurélio Gomes (PSDB). "Vamos trabalhar com a viabilidade de um projeto para alinhar com o atual sistema do VLT", diz o chefe do Executivo.

A expansão do modal sobre trilhos seria opção ao deficitário transporte público nas cidades do Litoral Sul à região central da Baixada Santista. De acordo com o último estudo de Origem e Destino da Gerência Regional da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), juntas, Peruíbe, Mongaguá e Itanhaém são responsáveis por até 38 mil viagens diárias nas linhas que atendem essas localidades – uma média de 7 mil passageiros por dia desembarcam em Santos.

De Praia Grande, por exemplo, são pouco mais de 200 mil deslocamentos diários, com 51 mil passageiros a cada 24 horas nas cinco linhas que vão até Santos. Os números não levam em consideração trabalhadores e estudantes que utilizam fretados. "O VLT é uma opção de transporte mais rápida, segura e econômica", continua o prefeito de Itanhaém.

Conforme ele explica, técnicos das prefeituras de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe iniciam na próxima semana estudos locais de utilização da área onde passa a linha-férrea. Depois, novos encontros vão definir o melhor formato de uso do espaço. "A preocupação é com a estado de abandono de um patrimônio que é do Governo Federal, mas com reflexos nas cidades", diz o chefe do Executivo praia-grandense, Alberto Mourão (PSDB).

Somado ao modal de mobilidade urbana, Mourão defende também utilização do trecho de Praia Grande para transporte de mercadoria até o Porto de Santos. A medida possibilitaria a expansão do retroporto à Área Continental vicentina e tornaria atrativo o futuro complexo Andaraguá, que integra um aeroporto de carga e condomínio industrial às margens da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega (SP-55).

A pressa para finalizar os estudos se justifica no prazo estimado pela concessionária para a entrega do ramal regional ao Governo Federal. Após tentativas de reativar a linha, a empresa definiu não ter mais interesse de explorar o espaço. "Tenho opinião clara de exploração do espaço: VLT até Peruíbe e roteiro turístico para o Vale do Ribeira", defende o deputado federal João Paulo Papa (PSDB). A devolução do ramal ferroviário privatizado na década de 1990 faz parte do processo de aditamento da concessão da Malha Paulista.

Uma lei federal sancionada no ano passado pela Presidência da República (13.448, de 5 de junho de 2017), possibilita a concessionárias de rodovias, ferrovias e aeroportos a renegociar possível entrega de lotes. A Rumo finalizou nesse mês um estudo que identificou ser inviável reativar o ramal para o transporte de carga aos moldes do atual contrato. O documento com quase mil páginas e que A Tribuna teve acesso com exclusividade indica questões técnicas, econômicas e ambientais para a recusa em operar no trajeto, construído no começo do século passado pela antiga companhia inglesa Southern São Paulo Railway.

A legislação prevê dois cenários para formalizar o acordo: deixar a linha-férrea operacional ou pagamento de multa indenizatória para um fundo nacional de fomento do setor. Cálculos feitos pela Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) mostravam que a devolução da rede abandonada paulista geraria um passivo de R$ 785 milhões à concessionária. Desse total, cerca de R$ 200 milhões apenas no ramal regional.

Em nota, a Rumo Logística diz que estudos diagnosticaram "a inviabilidade de realizar o transporte de cargas no ramal ferroviário" em larga escala. "A exploração do trecho deve se dar em outro modelo de negócios, como por exemplo as chamadas short lines, VLTs ou trens turísticos". A empresa diz que tal decisão é de competência das esferas políticas. "A Rumo se coloca à disposição para auxiliar nos estudos técnicos e na viabilização da solução escolhida", finaliza o comunicado

 

Fonte: A Tribuna

http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/ferrovia-abandonada-pode-possibilitar-expansao-do-vlt-ao-litoral-sul/?cHash=a95eedc0f1adbcb609de313dbdc921e1

 

 

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